Dia de São João

24 de junho de 2019 (segunda-feira)


Dia de S. João

A noite de São João é considerada mágica desde a Idade Média. Conta a lenda que as "mouras encantadas" largam a forma de cobras (como vivem todo o ano) e emergem das águas em figura humana. Na madrugada de São João , as mouras vão estender os seus tesouros à orvalha do campo. Esses tesouros ficam aí encantados sob a forma de figos. Se alguém passa, os apanha e não os come, transformam-se em verdadeiros tesouros. Se, porém, a pessoa passa apanha-os e come-os, reduzem-se instantaneamente a carvão!

A origem da "orvalha do campo" está ligada à fecundidade. Uma mulher que se rebole de madrugada sobre a erva húmida dos campos (“...para tomar orvalhadas/ nos campos de Cedofeita”) fica apta para conceber. Segundo uma lenda antiga, as orvalhadas eram entendidas como o suor ou a saliva dos deuses da fertilidade.

Por todo o País, criaram-se estas lendas em volta da noite de São João.

Existe uma, por exemplo, que assegura que os namoros arranjados pelo S. João são muito mais duradouros do que os que se formam pelo Carnaval “que não vêm chegar o Natal..."



Uma outra tradição interessante para os lados do Alentejo, em Beja, diz para se colocar numa tábua 12 montinhos de sal, aos quais se dão os nomes dos meses. A tábua deve ser passada pelo fumo de uma fogueira e depois deixada toda a noite ao relento da manhã. Antes do nascer do sol, deve examinar a tábua e verificar qual dos montinhos de sal está mais húmido. O mês correspondente ao montinho mais húmido será o mês de mais chuva.

Em Lisboa, acredita-se que se na noite de São João, uma rapariga puser a mesa com dois pratos, talheres, comida e à meia-noite começar a comer, no lugar vazio surgirá a figura do futuro noivo.

Em Trás-os-Montes, diz-se que se as raparigas cortassem as pontas do cabelo e, antes do nascer do Sol, as colocassem sobre uma silva, fazia com que as pontas não voltassem a espigar.

Porque a tradição da Fogueira?

Existem várias teorias sobre esta tradição. Diz a lenda que as irmãs Maria e Isabel estariam grávidas na mesma altura e combinaram que a primeira a ter o bebé avisaria a outra acendendo uma fogueira que pudesse ser avistada à distância no deserto da Judeia, onde viviam. Santa Isabel foi a primeira a acender a fogueira quando nasceu João. A tradição da fogueira mantem-se até aos dias de hoje.

As raízes da festa de São João é pagã e representa fundamentalmente “sortes da vida", relacionamentos, casamentos, saúde e felicidade, ainda que estritamente ligada a antigos cultos pagãos do Sol e do fogo, e às virtudes dos elementos primário as ervas bentas e orvalho, fogueiras, e água dos rios, do mar e das fontes.

Diz a tradição que as cinzas de uma fogueira de S. João curam certas doenças de pele. Para certos males, são benéficos os banhos que se tomem na manhã do dia de S. João, mas antes do Sol nascer. No Porto, os que se tomavam nas praias do rio Douro ou nos areais da Foz, valiam por nove...

No Algarve, segundo a tradição local, enquanto as raparigas dançavam em redor de um mastro enfeitado com madressilva e flores de São João, os rapazes saltavam a fogueira, o que os tornava homens adultos e protegia as crianças das doenças.

Por isso saltar uma fogueira na noite de S. João é uma tradição antiga, em número ímpar e no mínimo três vezes, fica protegido por todo o ano e de todos os males.

As mães, com todo o cuidado para ninguém se aleijar, passavam por cima das chamas as crianças doentes ou fracas, enquanto entoavam:


"Fogo no sargaço,

saúde no meu braço.

Fogo no rosmaninho,

saúde no meu peitinho."



Primo de Jesus

São João Batista é filho de Isabel, que é prima de Maria. Foi quem anunciou a vinda do Messias e foi chamado de precursor do povo Judeu. A festa de São João é de 23 de Junho para 24. 24 de Junho é a data do seu nascimento. Diz a história que mesmo antes de Jesus, João Batista já pregava publicamente nas margens do Rio Jordão. Ficou conhecido pela prática da purificação através da imersão na água, o batismo, tendo inclusive batizado o próprio Cristo nas águas desse rio, tornando-se, por isso, uma tradição no cristianismo. São João foi preso a mando do Rei Herodes e levado para uma fortaleza onde foi mantido por dez meses até morrer. A razão da sua prisão foi atribuída ao facto de ser responsável por liderar uma revolução, no entanto sabe-se que a persuasão na sua forma de pregar incomodava muitos poderosos. O Rei ordenou que degolassem João, um pretexto da sua enteada Salomé, e a sua cabeça foi-lhe entregue numa bandeja de prata. Depois foi queimado numa fogueira numa das festas do palácio de Herodes. Foram os discípulos de João que anunciaram a sua morte a Jesus seu primo. Onze séculos depois, na Idade Média, o Santo torna-se popular quando os cavaleiros hospitalários e templários – guerreiros cristãos que defendiam Jerusalém dos Muçulmanos, o adotaram como Padroeiro.